sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Espanto

Abra os olhos e se espante
É preciso se espantar
É preciso ver o mundo com espanto
Dar corpo a carne
Dar voz as palavras
Sentir o sangue
Sentir o calor
Sentir o espanto contaminando todo corpo e se transformando em ação
É preciso movimento
É preciso preencher o vazio
Reagir
Seja mar
Seja revolto
Seja o olhos da criança
Espanto

sábado, 19 de dezembro de 2015

Um breve adeus ou O dia mais triste do mundo

Era uma vez um buraco
Um rasgo de tristeza
Solidão em forma de gente
Seus pés não tocavam mais o chão
Sua vida, finas linhas nas mãos envelhecidas
Enegrecida com o tempo
Desmanchando com o vento do olhar
A morte ocupa o meu corpo
Sou um apartamento sem alma
Um buraco sem fim
Choro para te dizer...
Que choro
Derramo noite e dia
Era uma vez a tristeza que habitava em mim...

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Cinza

Doer arde
Arde na alma
Queima
Sou pó
Sou cinza
Tristeza em forma de gente

Gotas

Poderia não estar chovendo
Mas, choveria
Me desmancho em gotas
Que por sua vez se desmancham


domingo, 27 de setembro de 2015

valsa das bailarinas cegas

Abre-se a floresta das bailarinas cegas
Em cantos estrelas cruas brilham em seus lábios lampejantes
Eu matei a noite e ela renasce em águas pratas
A flauta dos pássaros e a fé das jovens borboletas
Pequenos anjos de cerâmica e os grilos azuis tocam na noite canções de um beijo curto
Bailarinas escorregam suas patas nuas
Eu caio nas fagulhas da noite e mato tempo entre flores e faces
Signos do amor
Brancura da noite
Eu mato meu tempo entre faces
Espero um beijo macio
Somos meninos de um paraíso escondido
O sonho atravessa como um pássaro de asas azuis
As gotas torcidas do véu da lua
Abro os olhos dentro de um balde de água
Eu matei meu tempo em faces
Estalo os dedos e acordo num barril de pólvora dentro do coração do pequeno rei
O rei das telas com suas imagens coloridas em preto e branco
Eu matei meu tempo no baile da madrugada

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

um dia

Quando o encontro se dá
Quando nos damos
Nos deixamos penetráveis 

Um balão de ar de festa colorido atravessa o salão
A ventania e a areia das construções raspam a pele
O sol queima cumprindo sua função entre a vida e a morte
Um pedaço de pão rola para o asfalto esmigalha se 

O que me interessa sobre eles?

domingo, 30 de agosto de 2015

Ardo

Não sei se passo desse inverno
Não sei nem se chego até amanhã
A vida anda matando
E doer é cotidiano
Ardo e explodo
Eu era